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"Clic!" fez a tampa da caixa de música.
"Rack... Rack..." Era Íris que lhe dava corda.
No seu interior, accionaram-se mecanismos diversos:
molas e rodas dentadas;
e a música ressoou pelo quarto.
Cansada, a bailarina se levantou,
retocou a maquilhagem e ajeitou os folhos,
enfiou as sabrinas gastas...
E ao som da música, o seu velho coração bateu,
compassado naquele ritmo suave
enquanto lágrimas escorriam pela maquilhagem...
O seu velho coração chegava aos seus limites...
Já não batia mais ao som daquela música!
E a bailarina morreu de pé,
como morrem as árvores e os velhos.
Mas o seu corpo seguia,
ao ritmo daquela melodia metálica!
Ao longe, Íris estava dormindo,
já seus pais lhe tinham dado as boas noites.
O corpo da bailarina sucumbia finalmente,
sob a tampa da caixa de música.
Amanhã, Íris voltará a dar corda àquele coração velho e cansado.
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