post #773 - boy meats girl
isto é um desabafo racional, sem sentimentos imberbes à mistura. é uma racionalização de emoções que sou incapaz de sentir, mas suficientemente perspicaz para me aperceber que seriam facilmente enquadradas na minha realidade neste momento.
o tempo nada significa, nem o local. portanto, saber o quando e o onde de nada vale, pois tudo o que me importa és tu. não digo que goste de ti - personagem ilusória, que só na minha mente existe, pois em pessoa alguma, real, encontro de volta os sentimento que deposito em ti, oh criação das minhas sinapses, alucinação das toxinas do jantar ou influência cósmica da conjunção planetária -, nem que não goste. importar quer dizer que tem um significado. e se significa algo, é porque me marca, mais não seja neste momento, mas espero, noutra confluência geo-cronológica, reparar que em algum instante anterior te dei importância.
é a mecânica humana, oleada à/aliada com a mente perversa dos animais, o desejo de sangue ventral e de cumprir os desígnios com que esta máquina semi-perfeita foi criada.
neste momento, és um fantasma que se desvanece à minha frente, que foge numa rua sem carros, pessoas ou tampas de saneamento. só uma passadeira onde atravesso - na imperfeita inconsciência da minha insegurança, sem arriscar nunca correr atrás de ti, rua acima, rua afora, rua abaixo - cruza esta rua.
detesto os sonhos em que não te detesto e detesto-me quanto te detesto. é tão mais fácil pensar do que sentir. pensar só dá dores de cabeça, sentir dá amargura, tristeza, ódio. e juntos dão solidão.
quieto, racionalizo o que devia sentir por ti: racionalizo um convite para sair, para um jantar, para um passeio, para um filme, para a tua cama. sinto depois, quando fizeres o meu coração voltar a bater.
agora, ainda está na pedreira para ser arrancado à mãe-natureza.




this blog



